A colaboração na advocacia e o uso da Inteligência Artificial estão causando mudanças nos escritórios de advocacia.

Na era da Inteligência Artificial, a advocacia colaborativa assume um novo significado. Anteriormente, colaboração se limitava a trabalhar em equipe, mas atualmente o desafio é integrar especialistas de diversas áreas e perspectivas para resolver problemas complexos de clientes em um mundo incerto e ambíguo. A tese de Smarter Collaboration, desenvolvida pela Dra. Heidi K. Gardner da Harvard Law School, destaca a importância de integrar diferentes especialistas para impulsionar a gestão e crescimento dos escritórios de advocacia.

De acordo com Gardner, a colaboração mais inteligente é quando pessoas de diversos backgrounds se reúnem de forma intencional para resolver problemas complexos juntas, superando as capacidades individuais. Isso envolve a criação de um modelo de advocacia colaborativa estruturada nos escritórios, conectando diferentes áreas e profissionais com o objetivo de fornecer maior valor ao cliente, impulsionar o crescimento da receita e lucratividade.

Durante a Masterclass Smart Collaboration e IA, organizada pela Thomson Reuters, Heidi simplificou esse conceito de maneira clara:

Nos escritórios de advocacia, ocorre a colaboração entre diversos profissionais especializados, visando atender a clientela e auxiliá-los na resolução de questões intricadas.

Em outras palavras, a colaboração não é o objetivo principal, mas sim um recurso para solucionar questões legais complexas e estratégicas que afetam diretamente os negócios dos clientes.

Por que a advocacia colaborativa se destaca como uma vantagem competitiva – e não apenas como uma abordagem agradável para o trabalho.

Os resultados da pesquisa de Gardner, mencionados em Smarter Collaboration, confirmam o que muitos profissionais já suspeitavam, mas raramente conseguiam comprovar: clientes que utilizam diversos serviços tendem a gerar uma receita significativamente maior para a empresa ao longo do tempo.

Durante a Masterclass promovida pela Thomson Reuters, Heidi exibiu um gráfico que demonstra como a oferta de diversos serviços por cliente pode impactar positivamente o valor médio cobrado por cliente. A ideia de que “1 + 1 + 1 = 5” ilustra que, ao unir especialistas de diferentes áreas de atuação, o resultado financeiro não é simplesmente a soma dos esforços individuais, mas um efeito multiplicador. Além disso, ao comparar a evolução de uma firma de 2017 a 2022, foi evidenciada uma relação próxima a “7x = 39”, destacando o potencial de crescimento exponencial da advocacia colaborativa.

Na realidade, isso implica:

  • Clientes que não dependem tanto de um único sócio e estão mais integrados com o escritório como um todo.
  • Maior permanência dos clientes e redução do risco de perda, pois a interação deixa de ser individual para se tornar entre empresas.
  • Aumento das possibilidades de oferecer produtos adicionais e de nível superior com base nas necessidades reais dos clientes, em vez de impor ofertas.

Outra informação importante é a avaliação de risco dos clientes com base na quantidade de parceiros que os atendem. De acordo com um dos painéis apresentados, 46% dos clientes são assistidos por um único sócio, o que os torna “8 vezes mais vulneráveis”. Isso serve como um aviso significativo para estratégias de marketing e jurídicas: se esse único sócio sair, se aposentar ou perder relevância, o risco de perder o cliente é muito alto. Portanto, a advocacia colaborativa, baseada em dados, se torna uma ferramenta direta para gerenciamento de riscos e valorização da carteira.

Redes de cooperação e desempenho individual: por que determinados advogados se desenvolvem mais do que outros.

A ideia de Colaboração Mais Inteligente abrange não apenas o nível da empresa, mas também o indivíduo. Gardner compara dois profissionais quase idênticos, destacando a importância de cada um.

  • Departamento idêntico.
  • No mesmo ano em que se formaram.
  • Tempo de residência igual.

A discrepância reside na maneira como estão interligados dentro da empresa.

Enquanto um possui uma rede restrita e pouco variada, o outro faz parte de uma ampla rede de colaboração com diversos pontos de conexão. Isso se reflete em um índice de desempenho significativamente superior, resultando em maior receita, mais oportunidades, maior visibilidade e, por fim, mais possibilidades de progresso na carreira.

Essa questão é fundamental para a advocacia colaborativa: não é simplesmente uma diretriz do escritório, mas sim uma abordagem para aprimorar habilidades. Tecnologias como o SmarterNetworks possibilitam enxergar essas redes de cooperação e identificar:

  • Quem são os “hidden gems” são profissionais que demonstram comportamentos colaborativos de grande impacto, mas que ainda não são muito conhecidos ou visíveis.
  • Identificar os grupos fortemente interligados em comparação com aqueles que estão isolados ou separados em compartimentos.
  • Modelos de cooperação em clientes importantes, fusões, integração de filiais e adição de novos parceiros.

Para os líderes de escritórios, conselhos e comitês de gestão, isso proporciona informações valiosas sobre as áreas em que vale a pena dedicar tempo, oferecer treinamentos, orientação e programas de desenvolvimento, como os “Mini MBAs” para novos parceiros e iniciativas direcionadas para oportunidades de clientes interdisciplinares.

Conheça o CoCounsel, o assistente de inteligência artificial para o campo jurídico da Thomson Reuters.

Qual é o papel da Inteligência Artificial nesse contexto?

Neste ponto, a importância da interação entre advocacia colaborativa e Inteligência Artificial ganha destaque. Durante a Masterclass Smart Collaboration e IA, Heidi Gardner esclareceu:

A inteligência artificial colabora de diversas formas, auxiliando as pessoas a melhorarem sua eficiência no trabalho cotidiano. Isso possibilita que elas tenham mais tempo para se relacionar com colegas e clientes, além de se envolver em atividades de liderança de pensamento e expansão do desenvolvimento de negócios.

Em outras palavras, a principal função da inteligência artificial é ser operacional e emancipadora.

  • Simplificar e agilizar atividades que são feitas várias vezes.
  • Agilizar investigações.
  • Ordenar papéis.
  • Dar suporte a análises legais complicadas através de uma seleção inteligente de dados.

Isso não diminui a relevância do advogado. Pelo contrário, possibilita que ele atue em um nível mais estratégico, dedicando tempo ao relacionamento, à construção de sua marca pessoal, ao desenvolvimento de novas abordagens e, principalmente, à colaboração organizada com outros profissionais especializados.

Em seguida, Heidi chama atenção para outra função da inteligência artificial que está intimamente relacionada às dificuldades tradicionais da colaboração:

Em termos gerais, a inteligência artificial desempenha um papel fundamental na promoção de colaborações mais eficazes, ao auxiliar na identificação dos especialistas mais adequados dentro da empresa para participar de reuniões com clientes, superando assim obstáculos comuns nesse processo.

Essa é uma questão comum na área jurídica: muitos escritórios possuem grande especialização, porém não possuem uma definição clara de quem é especialista em cada assunto. A informação encontra-se espalhada, seja em registros de casos, e-mails ou memórias informais. Sistemas com suporte de inteligência artificial podem ajudar a mapear essas informações.

  • Identificar os advogados envolvidos em casos específicos, áreas de atuação, regiões jurídicas ou arranjos contratuais.
  • Indivíduo com experiência significativa com um cliente ou um grupo específico;
  • Quais tipos de equipes de trabalho resultaram em maior lucratividade e contentamento dos clientes em épocas anteriores.

A partir desse momento, a advocacia colaborativa deixa de ser baseada em intuição (“parece que fulano poderia ajudar”) e passa a ser orientada por dados (“com base em dados, sabemos quais especialistas devem participar da reunião com o cliente X para obter o máximo valor”).

Dashboard, análise e cultura: como converter informações em plano de ação para promover a colaboração na advocacia.

A demonstração de Smarter Collaboration exibe vários painéis de Insights do líder, com métricas como:

  • Porcentaje de clientes complicados.
  • distribuição de trabalho colaborativo entre práticas.
  • Clientes em situação de perigo.
  • Parceiros com maior nível de conexão.
  • Origem de padrões de prática cruzada.

Esses dados, juntamente com avaliações de conexões entre indivíduos (quem trabalha com quem, em quais iniciativas, por quanto tempo), proporcionam aos gestores uma perspectiva inédita da empresa. Isso se reflete em quatro abordagens estratégicas para a advocacia colaborativa.

Aumento da renda e rentabilidade.

Reconhecer de forma ágil as oportunidades de expansão do escopo de serviços para os clientes existentes, criar equipes-chave multidisciplinares e elaborar planos concretos para o crescimento dos serviços interdisciplinares.

Administração dos riscos associados aos clientes e continuidade nos relacionamentos.

Diminuir a proporção de clientes assistidos por um único sócio, evitando a concentração excessiva e a vulnerabilidade na carteira.

Promoção do crescimento de habilidades e liderança baseada na cooperação.

Auxiliar novos membros, profissionais de direito e advogados em transição profissional, por meio de orientação personalizada para expandir contatos e parcerias, não se limitando apenas ao desenvolvimento de habilidades técnicas.

Cultura e estímulos voltados para a colaboração estão em sintonia.

Ferramentas como SmarterRewards™ permitem avaliar se o sistema de recompensas, avaliação e reconhecimento está promovendo ou prejudicando a colaboração. Sem essa análise, qualquer conversa sobre colaboração efetiva se torna apenas uma estratégia de marketing interna.

Inteligência artificial e colaboração mais eficiente: a perspectiva da advocacia colaborativa.

Heidi Gardner enxerga uma clara integração entre tecnologia e comportamento organizacional. Ela resume essa visão ao visualizar o que está por vir na área profissional.

Esperamos que os advogados utilizem cada vez mais a inteligência artificial e a colaboração de forma mais inteligente, a fim de se tornarem influências mais fortes no campo jurídico e oferecerem maior valor aos seus clientes de maneira mais eficiente.

Em suma, a advocacia colaborativa do porvir será:

  • Proposital: fundamentada na elaboração estratégica de redes de colaboração, e não em relações aleatórias.
  • Baseada em informações: suportada por análises, inteligência artificial e painéis que indicam as verdadeiras possibilidades de expansão, ameaças e progresso.
  • Focando nas necessidades do cliente, a abordagem está voltada para questões desafiadoras que requerem equipes com diferentes áreas de atuação, compreensão ampla do mercado e conhecimento aprofundado do ambiente econômico, regulatório e tecnológico.
  • Expandida pela IA: a utilização da Inteligência Artificial não como um substituto, mas como uma ferramenta para economizar tempo, identificar padrões não visíveis e facilitar a comunicação entre os especialistas adequados, no momento oportuno, para o cliente apropriado.

Para os escritórios que buscam se destacar em um ambiente de mercado cada vez mais disputado, adotar a advocacia colaborativa como peça central da estratégia de expansão, seguindo a abordagem de Colaboração Inteligente, é uma escolha empresarial crucial, e não simplesmente uma questão cultural.

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